Quem é Você Nesta Pandemia?


Pregação a convite de meu tio João Hurbano, realizada no pequeno grupo (PG) de casais de sua igreja em Manaus, daqui mesmo de São Paulo, via a rede social Instagram.


1 INTRODUÇÃO

  

1.1 Objetivo deste sermão

  Conscientizar-nos de nosso papel de cristão (social e espiritual) nesta pandemia.

  

1.2 Texto-base

  

Marcos 5:21-34 (com complemento em Mateus 9:1, 18-22, e em Lucas 8:40-48).

  

1.3 Título do sermão

  

Quem é você nesta pandemia:

 

— um expectador, alguém na multidão;

 

— um mero seguidor de Jesus, alguém guiado pela multidão;

 

— alguém que sofre, que busca redenção; ou

 

— um imitador de Jesus?

  

1.4 Ideia homilética

  

A grande ideia deste texto para as nossas vidas é destacar que:

 

— na multidão, há pessoas que estão buscando redenção pela fé;

 

— e que não devemos ser guiados pela multidão, e sim pelo olhar de Jesus, um olhar de misericórdia, e que vê a verdade por trás das aparências.

  

1.5 Introdução (em sentido estrito)

  

A pandemia jogou luz sobre nossa sociedade, veio pôr uma lupa, fazer um raio-X. Na sociedade, cada indivíduo assume um lugar: sabemos qual ocupamos, mas às vezes não sabemos que lugar nosso próximo ocupa. Na pandemia, esses lugares se tornaram evidentes:

 

— há os que assistem confortavelmente a pandemia passar, trabalham em casa, e recebem normalmente seu salário; há os que têm que sair de casa, e há ainda os que, embora saindo de casa, não conseguem mais renda;

 

— há os que, influenciados ou não, morrem sem fazer nada por si, ou pelos seus;

 

— há os que, por estarem doentes, buscam cura na rede privada, ou no SUS; há os que trabalham para a cura, há os que criticam quem trabalha para a cura, e há ainda os que realmente merecem ser criticados;

 

— há os que se encontram na condição de doentes, e de necessitados; estes saem sim de casa, exatamente por estarem doentes, e também por causa da necessidade econômica, e contaminam outros porque não têm alternativa; e

 

— há os sadios, indiferentes, que se aglomeram porque não estão nem aí pra nada, querem mais é uma vida normal, à força.

 

Qual o lugar da Igreja dentro da sociedade, nesta pandemia? Fechada, ou atuante? Sendo guiada pelas autoridades mundanas, ou colaborando com elas, mas exercendo um olhar ainda mais elevado que todos os outros? O olhar da Igreja precisa ser de misericórdia, mas também ver a verdade nessa multidão.

  

1.6 Proposição

  

Jesus soube que, em meio à multidão, havia alguém que pela fé buscava redenção; ele não foi guiado pela multidão, mas teve um olhar de misericórdia, e enxergou a verdade em meio às aparências. Devemos fazer o mesmo como cristãos.

 

1.7 Orações interrogativa, e de transição

Qual tem sido nossa postura, e nosso olhar nesta pandemia? O texto bíblico nos ensina, há pelo menos três posturas cristãs dessa pandemia.


2 DESENVOLVIMENTO

  

Jesus voltou de onde? De Gerasa, onde haviam pedido que fosse embora. Foi para Cafarnaum (“sua própria cidade”). Lá, ao contrário, grande multidão o esperava com alegria:

 

Jesus é recebido de formas diferentes pelas pessoas: há os que o recebem com alegria, e há os que o rejeitam, pedem para ele ir embora.

 

Jesus estava junto ao mar, dando ensino às multidões, quando foi interrompido por Jairo. Jesus já havia sido expulso de uma sinagoga em Nazaré, um motivo a mais para ele ensinar ao ar livre; mas o chefe da sinagoga em Cafarnaum veio, e o adorou:

 

cedo ou tarde, todos se ajoelharão, e reconhecerão que ele é Deus.

 

Jesus deixou as multidões, e atendeu Jairo:

 

Jesus deixa as noventa e nove, vai atrás da perdida, é pastor de misericórdias.

 

Jesus se levantou, e seguiu Jairo até sua casa:

 

Jesus podia curar até sem pôr a mão, pois sua cura não dependia do que Jesus fazia (de protocolos médicos, procedimentos, métodos científicos), e sim do que Jesus é. No entanto, Jesus variava suas ações, às vezes de acordo com a fé do suplicante.

 

A multidão o acompanhava, comprimindo-o. Jesus certamente sentiu falta de ar:

 

todos seus seguidores o seguiram, mas quem verdadeiramente o imitaria? Jesus tem empatia pelos que sofrem.

 

Jairo era chefe da sinagoga, responsável pela organização dos serviços religiosos; certamente compunha uma junta de anciãos, e talvez ainda fosse responsável pela escola, e pelo tribunal. Era de fato um homem importante na cidade:

 

Jesus, no entanto, interrompeu a atenção dada a ele, e passou àquela mulher, distinguindo-a em meio à multidão.

 

Para entendermos a situação, é preciso saber a condição daquela mulher perante o Judaísmo. Tudo que Deus fez, ele fez puro. De todas as coisas que Deus fez, tudo permanece propriedade de Deus, mas ele sempre separa algo exclusivo para si: as coisas sagradas, santas. As coisas que ele compartilha com o homem são as comuns. O homem quis se igualar a Deus, profanou o que Deus lhe autorizou, e aí surgiu tudo que é impuro, tudo que é mau:


essa é a origem de todo o mal, inclusive, o daquela mulher.

Após o mal, a Lei de Deus definiria o que seria ainda sagrado, o que seria comum, e o que seria impuro; e os processos pelos quais algo se santificaria, ou seria profanado. O impuro sempre poluiu o puro, e o comum jamais poderia se misturar com o sagrado:



a presença daquela mulher ali poderia levá-la ao apedrejamento, tornava as pessoas impuras. O legalismo não exercia misericórdia. Jesus ressaltou a misericórdia que já existia em Deus no Antigo Testamento (“hesed”). O Judaísmo progressivamente deveria dar lugar a Jesus, a videira verdadeira. Quando aquela mulher tocou Jesus, em vez de ela profaná-lo, foi Jesus quem a tornou pura. Jesus é Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Ela o tocou na orla da veste (símbolo da Lei), mas, pela fé, alcançou misericórdia!



Embora a fé daquela mulher não fosse perfeita, fosse supersticiosa, a fé dela não foi um placebo, não foi um efeito impessoal:



a sua fé foi operosa, ela enfrentou a multidão;



o poder ter saído de Jesus demonstra que ele é o titular daquele poder.

  

1.1 Primeira postura: não sejamos multidão que nega

  



A multidão podia estar inocente na situação, pois se vê que a pergunta de Jesus foi em relação a um toque especial, o que a multidão negou com razão. Mas as motivações dela a denunciam (especulação, interesse, influência etc.).

Há na multidão os que assistem a ela passar, sem se envolver, sem querer com os demais se contaminar:

— são os que assistem confortavelmente a pandemia passar: negam a doença, ou negam a necessidade dos outros [de renda].

Há os acomodados, não entram na multidão por não querer fazer esforço. Veem Jesus passar, e nada fazem por si mesmos, ou pelos seus:

— são os que negam que possam morrer de Covid, e sem procurar ajuda, acabam morrendo; ou quiseram levar uma vida normal à força, simplesmente ignorando o problema.

A mulher do fluxo de sangue não se acomodou ao seu problema, provavelmente sofria com menorragia, que aumentava: ou a frequência dos ciclos menstruais, ou a duração dos ciclos menstruais, ou a intensidade (volume) dos ciclos menstruais. Certamente causava anemia, fraqueza, e falta de ar.
Embora a mulher sofresse por 12 anos, e os ciclos talvez fossem intermitentes, ela não se acomodou, não esperou sua impureza passar para tocar Jesus, agiu apesar da multidão.

1.2 Segunda postura: não guiados pela multidão, nem meros seguidores de Jesus

  
Além disso, aquela mulher se via empobrecida, e pior em seu estado. Talvez fosse sozinha, viúva, era titular de alguns bens, provavelmente herdados. Agora ela podia voltar a ter normal, reintegrada à sociedade:

— a pandemia tem feito isso com muita gente, empobrecido e piorado a situação. A multidão de jornalistas, e de autoridades malignas disse: fique em casa. Qual a motivação dessa multidão? Há pessoas que não usaram máscaras, ou pacientes que ficaram em casa, seguiram a OMS no início; e por terem se conformado a esta, morreram;

— e a Igreja? Fechou suas portas. Era essa a atitude correta, a despeito de tudo que foi orientado? Fomos guiados por essa multidão, e com medo, deixamos de cumprir o nosso papel de cristão. Mas houve igrejas que abriram suas portas, e ajudaram o povo. Isso foi imitar Jesus, e não se guiar pelas aparências(!);

— a Igreja não precisa do Estado (como os socialistas) para dar aos necessitados redenção; a Igreja precisa deixar de ser apenas uma seguidora de Jesus, e passar a imitá-lo, pois Jesus não precisou do Estado para realizar suas grandes obras;

— mas primeiro, é preciso um olhar de misericórdia, e além das aparências!


1.3 Terceira postura: sejamos imitadores de Jesus

 

A causa da mulher interrompeu a da filha de Jairo, que certamente estava ansioso. Ele era um homem que “tinha um nome”; e o nome daquela mulher sequer foi identificado:

 

mas ela era uma filha de Jesus, única menção de filha que Jesus fez em todo o Novo Testamento; Jairo tinha uma filha, e Jesus também tinha uma filha a ser socorrida(!);

 

Deus queria sim curar aquela mulher, Jesus sabia de sua existência, e quem era ela, perguntou por ela que tivesse uma ligação pessoal com ela, para afastar sua fé supersticiosa, e para reintegrá-la à sociedade. Sua redenção foi completa (do grego “sozo”), Jesus a deu mais do que o que ela veio buscar, ela a deu vida eterna(!);


 e por outro lado, os cristãos que buscam cura, ou sustento nesta pandemia, coloquem sua fé em prática, e Jesus os suprirá, porque também somos seus filhos!

 

3 CONCLUSÃO

 

A sociedade precisa da Igreja, ela precisa do suporte social e, sobretudo, espiritual da Igreja. Mas não podemos deixar de perceber que parte da sociedade é maligna e enganadora. Não podemos nos deixar levar por essa parte. Para isso, devemos cultivar uma consciência, ter um entendimento das coisas, e no mais, ser imitadores de Jesus:

 

disse Paulo: Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo (1 Co 11:1);

 

Jesus: Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai (Lc 6:36).

 

4 BIBLIOGRAFIA

  

BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida, edição revista e atualizada (1959, 1993), com os números de Strong. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2003.

BRAGA, James. Como preparar mensagens bíblicas. Tradução: João Batista. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Editora Vida, 2005. Título original: How to prepare bible messages.

FAITHLIFE corporation. Software bíblico logos. version 8.13.0.0008.

MORRIS, Leon L. Lucas: introdução e comentário. 1. ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1983. Título original: Luke, an introduction and commentary. pp. 149-152.

  

MULHOLLAND, Dewey M. Marcos: introdução e comentário. 1. ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1999. Título original: Mark’s story, Messiah for all nations. pp. 96-97.

  

TASKER, R. V. G. Mateus: introdução e comentário. 1. ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1980. Título original: St. Matthew, an introduction and commentary. pp. 79-82.

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